A Dança dos Fantasmas

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Ele é que diz,

Nadja fixa um ponto no ar: «Há gente boa.» Mais comovido do que desejava parecer, desta vez zango-me: «Não. Aliás, não é disso que se trata. Essa gente perde o interesse na medida exacta em que suporta o trabalho, acompanhado ou não de todas as outras misérias. Como poderia isso elevá-los se neles a revolta não excede tudo? Neste instante, de resto, vê-os, mas eles não a vêem a si. Odeio com todas as minhas forças esta servidão que pretendem impor-nos (…) Uma vida livre é uma vida passada a quebrar perpetuamente as correntes que nos tolhem, e para que isso seja possível, preciso é que as correntes não nos esmaguem, como fazem a muitos daqueles de que fala. Mas a liberdade é também, e talvez seja o que melhor a define humanamente, a mais ou menos longa, mas sempre maravilhosa, sequência de passos que ao homem não acorrentado é permitido dar.

[André Breton, Nadja, Lisboa: Estampa, 2010]

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Filed under: Leituras, ,

4 Responses

  1. fallorca says:

    E esta passa a ser a minha nova morada, além das livrarias que reportates no «Público» 😉

  2. Mas que bela casa, a do Cheiro dos Livros. Já está no meu Google Reader.

    Qualquer dia encontro-te por aí, Fallorquita, e vou saber que és tu e tu não vais saber que sou eu 😀

  3. fallorca says:

    Ora bem… 😛

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